segunda-feira, 1 de março de 2010

8 de fevereiro: a primeira cerveja

Resumidamente, o aviso na parede do teatro Dias Gomes nos informa sem rodeios que a ventilação está defeituosa.

Faz um calor que sequer fotos das minhas axilas poderiam descrever. É a sensação que vai ficar desse início: o calor louco.

Em uma semana, a gente já conhece muitas caras, alguns nomes. A internet nos ajuda. O Santos ganhou do São Paulo: são dois os santistas do grupo. A Maya e a Adriana, assim como eu, curtem um BBB numa noite de ócio. O Cristian e o Marcus Paulo me confundem. Tuti e Deborah também.

Wathever. Na primeira aula estivemos com Deto. Hoje, Candé. A mesma dinâmica. Desde 1991 a Oficina dos Menestréis treina pessoas para fazer o público sonhar. Não me peça para ser eu o rapaz que vai contar como se dá este treinamento.

Posso dizer que é algo muito nosso. Meninas bonitas sorriem pra você, dançam contigo, limpam a testa com a leve camiseta e te mostram toda a barriga. E estão descalças, descabeladas e sem maquiagem. E foda-se.

É algo muito nosso. Todo nosso. A sintonia depende de todos. Um espirro muda o clima geral. Um braço cruzado é trágico. Os homens dançam, são gentis, soltam-se, alguns com shorts, camisetas regatas, músculos. E foda-se.

Hoje dançamos uma música do Grease. We Go Togheter. Entendeu? Hoje eu não estava tão tenso. Hoje deu pra decorar mais pessoas, mais comandos.

Deu pra deitar no intervalo e saborear o palco. Desligar. Dandrade veio me oferecer um refrigerante chamado H2O, que nunca tinha bebido. Perguntou se eu estava legal. Estava, Dandrade. Junto.

Outra coisa que posso dizer sem entregar as tecnicas de Deto e Candé, é que existe uma onda de respeito entre as pessoas, como que se todas soubessem o quão importante o outro, cujo nome, procedência e antecedentes criminais são desconhecidos, será em sua vida.

Tinha uma menina alta, que depois fui saber que se chama Nahomi, que olhei e pensei nisso. "Que diabos, quem é essa pessoa, e quem será essa pessoa em agosto?". A Adriana, cujo diálogo pela internet já havia sido maior, dava no mesmo placar: "Tá, sei sobre ela, mas o normal não seria eu ter a opção de não ter certeza que ela será importante no meu melhor ano?".

Viagens, apenas viagens. Acaba o treino, e vamos beber uma cerveja. Na outra semana tem carnaval, logo, não tem treino.

Cristian pulou de para-quedas com sua mãe. Lívia canta numa banda de meninos imaturos. Flávia tem uma tatuagem nas costas. Tadeu imita Silvio Santos e eu quebrei meu copo na mesa.

Não acharia nunca coisa diferente. A seleção do Noturno não deixaria isso ser possível. Mas sinto estar ao redor de pessoas numa linha de energia muito gostosa. Sem Limaduartismos. Sem eu-sou-fodismos. Não senti isso em ninguém. Hoje sinto muita dor nos punhos, pois num exercício passei 3 minutos marretando o palco. Foi libertador.

Outra vez volto pra casa na carona do engraçado Bruno. A figura tem um problema nas costas, e eu no joelho. Isso toma metade de nossos diálogos, ou lamentos.

A outra metade dos assuntos, claro, é secreta.

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