segunda-feira, 1 de março de 2010

22 de agosto: as primeiras lágrimas

Voltando do carnaval, portanto a 14 dias sem palco, até o sol veio fazer o treino. De noite, sim. No Noturno, sim. O sol estava na coxia. Pelo amor de deus, o que mais justificaria um calor ainda maior do que o de antes?

Era aniversário da Adriana. A pequenina de cabelos cacheados levou um bolo para o momento do intervalo. Bolos em aniversários a gente vê em famílias. Adriana estava certa.

Estamos conseguindo mais foco, nosso arcabouço de recursos, informações e reflexos já mostra volume, ao mesmo passo em que novas coisas nos chega. Trabalhamos bem mais no escuro, dessa vez.

Fizemos um exercício em grupos de cinco. Resumidamente, foi na sétima hora de palco que acabei chorando pela primeira vez. Não deixei o sonho do hipotético público ir por água abaixo. É o mandamento do grupo.

Mas chorei com Joe Cocker, sua canção tão bela. Fui pra coxia e lá fiquei um pouco ao fim das cinco músicas, todas dançadas como se a primeira não tivesse me detonado.

Sequencias mais longas, informações mais densas a se decorar, exigências maiores em termos de expressão e postura. É isso que trago deste terceiro encontro. Um encontro substancialmente mais íntimo.

Os homens se permitiram até treinar sem camiseta. Num dos exercícios, é bem verdade que quase ninguém viu, mas eu fiquei de sunga, minha querida sunga de piscina. Fiquei preocupado em ter sido deselegante. Tolo.

Mas nem é por isso, ou nem por fodermo-nos com cabelos ou quetais, nem pela festa de aniverário, tampouco pela maquina fotográfica que lá apareceu, ou sequer por um exercício conter cumprimentos bunda-com-bunda.

É o conhecimento coletivo tornando o grupo homogêneo. É assim mesmo que funciona. Buscamos mais soluções, tratamos coisas que antes eram determinações e agora são apenas atos naturais.

Nossos diretores dizem coisas muito legais. Algumas delas a gente conta, outras a gente guarda. Dois mais dois, pra gente, precisa ser 17 convicto, mas não pode ser 4 burocrático. É nossa convicção pra pisar errado, ser torto e andar fora da linha que nos difere.

Esse é o conceito que mais senti organicamente dentro de mim no dia de hoje. Consegui me sentir mais convicto. Para ser perfeito, realmente milhões de grupos fazem melhor que nós. Nosso diferencial precisa estar na convicção.

É preciso sensibilidade, estar sensível a isso, a se desligar do que geralmente não se desliga, levar-se totalmente ao descrédito formal.

Acho que You Are So Beautiful, logo no começo do treino de hoje, me emocionou e me ajudou a doar-me um pouco mais. Bastante mais.


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