Ah, a cerveja. Hoje não bebi, estou saindo de uma gripe. Mas brindei, e eu tenho TOC com brinde, se eu brindo eu preciso beber. Superei. Deto Montenegro é o diretor do Noturno. Ele estava lá. Ele disse que quem tem síndrome de down diz as coisas que você sempre quis dizer, mas nunca teve coragem. Puta que pariu, Deto, pão com salame e whisky não dá, é uma combinação impossível. Horrenda.
E vamos aos fatos, vai, sem formalidades. Um pedaço do sanduiche do Deto voou de sua boca para dentro do copo da Maps. Acontece porra, acontece.
Bruninho instalou a crise no seio do grupo notúrnico? Talvez, mas eu acho que colocou, ele, a essência da verdade em nosso convívio. Afinal, todos nós já pensamos ao menos uma vez que a Paty, por ser baixinha, chata e feia, deveria se matar mesmo (puta que pariu, como eu ri).
Ao que consta, isso é, não apurei, não fui atrás de saber, meu telefone tampouco tocou, até o momento da redação deste texto, Marcão, o Jerry Lewis da noite, ainda não conseguiu comer ninguém (puta que pariu, como eu ri²).
Na turma temos a Roberta. Ela é a imagem mais inofensiva do mundo fora do palco. E uma bruxa digna de Oscar quando entra em ação. Nossa pálida e carismática feiticeira defendeu uma tese interessante: que a poluição do mundo está ao nosso redor e entra pelo nosso rabo, para sair pelo rosto, causando assim a conjuntivite, o que justifica que Lívia quisesse falecer. Por isso, estamos cercados por conjuntivites. Faz sentido (puta que pariu, como eu ri³).
Aliás, Livia, a rouca (Cebolinha a chamaria de "a louca", e não estaria errado, vai saber...), reclamou que na última semana eu não escrevi nada por aqui. Simples, chuchu: não queria forçar seus conjuntivitos olhos (os momentos mais importantes da vida deveriam nos permitir uma hora ou mais para raciocinar o que responder. Quando ela me cobrou eu apenas pedi desculpa. Sem sal). Me saí bem?
A Sophia, todos nós conhecemos. E ninguém se opõe ao delicado sorriso de Sophia, isso é um fato. Sophia é boa atriz. Engraçada também. Num dos assuntos (seríssimos) que abordamos antes do treino, ela imitou um sorriso de baiacu. A Sophia vocês conhecem. Um baiacu sorrindo, talvez não. Está aqui. Pode parecer impossível, mas teve sua semelhança.
Paula nos deu um susto. Sentiu calor depois frio, quis sentar depois deitar, teve siricoticos, mini-desmaios. Ligeiramente febril, provavelmente com coceira por vestir um agasalho do Palmeiras, foi-se embora antes do fim.
Eu fui com Carol, Arthur e Victor levá-la até a portaria. Quando voltei, o exercício acabara de começar e eu não quis entrar. Fiquei com o hall de acesso ao teatro só pra mim. Me encostei na parede, pouca luz, o som que vinha lá de dentro (e está aqui no pé do texto), e só nesses minutos privativos que me dei conta que maio está aí. Já conheço essa galera há 3 meses. Já são meus amigos de longa data, de infância, quase. E eu não sei ao exato o que imaginava que seria. Seja como for, é mais do que esperava.
O Tadeu já está tirando do forno a imitação do Candé. Caralho, se o Tadeu não nascesse menestrel, nasceria papagaio. Não pode ouvir uma voz, que aprende a imitar. Ok, vamos aos pitacos finais: Brunão dança um samba espetacular, não é, meninas?; se ouvirem falar de um carro que entrou no meio da pista do aeroporto de Guarulhos, foi a Adriana, a aprendiz de condutora Adriana; as unhas da Deby são azuis claras; são não, estão; estão sim, mas e daí?; eu adoro estar com vocês.
Descobri, com a ultima semana, que se o trabalho me pega ou o sono me vence na madrugada de segunda para terça, de modo que não escrevo nada sobre o Noturno, não será nem na terça, nem na quarta, que o farei a contento.
Foi o que aconteceu na semana que se passou. Na segunda não deu. Escrever sobre estas coisas exige, pelo menos em mim, que o cansaço ainda esteja presente, sem ser maculado pelo sono-em-dia. E que eu não tenha 12, 24 horas para pensar no que vou rabiscar.
Meu punho dói que é uma beleza. Treino dado por Deto, Lê resolve "voar", e voa, e cai, com o pulso antes do corpo. Ao menos, por dois segundos, eu realmente acreditei que posso voar, e lhes conto: é uma sensação muito boa!
A dor no punho a que Deto me "induziu" encobre a chata dor no joelho, que determinados movimentos às vezes me fisgam. Exigi deles (os joelhos) mais do que o saudável recomenda por todo o fim de semana, e na segunda ele estava baleado. Perfeito, portanto, para fazer duas fotografias: a estátua d´O Pensador, e um sujeito sentado numa privada. Privada onde os burros cagam neurônios de joelhos torcidos.
Os segundos à espera do fim desta cena foi angustiante, e honestamente tive a impressão que o Candé me deixou naquela posição por pelo menos 3 estações do ano.
Estou ouvindo Rita Lee e no meio da música uma inserção nonsense de Norah Jones interrompeu meu fluxo, e voltou para Rita Lee sem que eu entendesse como isso é possível. Estou ouvindo um CD. Repito: um CD. Bizarro e inexplicável. Fica o registro.
Voltando. Falava de fotos, pulsos, joelhos. O time de futebol que jogo (e é meu primeiro time do coração, que me desculpe o futebol profissional), cujo qual sou o capitão, me leva ao Noturno de joelho baleado, às vezes. Eu também levo algo do palco para o vestiário. Este sábado mesmo eu discursava aos companheiros o quão importante era ter convicção, mostrar convicção, mesmo errado. Não era oportuno citar a fonte, é importante para meus colegas imaginarem que sou um super-herói cheio de ideias legais.
Não sei se super-heróis (nunca assisti desenho de herói, culpa da ESPN) servem para casos de acolhimento e segurança, ou se eles só agem com força, na hora da guerra e do conflito. Foda-se. A homogeneidade do grupo vai me deixando cercado de pequenos heróis, e são vocês, noturninhos.
Não apenas na parte física, como Mariela e Nahomi com suas articulações de mulher-borracha. Me refiro a estar machucado e a Andrezza ter uma UTI móvel dentro da bolsa. A sensação de que se me der um branco, o Tadeu e sua energia vão impedir que a peteca caia. De que as ideias que eu terei nunca estarão sozinhas, por mais indecentes que sejam. Que vai sempre ter um sorriso leal feminino se eu baixar o astral. Um abraço fraterno masculino também não faltará.
Nem faltará quem esteja atento para me dar luz, me indicar um caminho, me emprestar o que já absorveu, ensinar o que já entendeu. Sobram copos para eu fazer meu brinde, e também sobram gestos mais largos, menos largos, mais assim, menos assados do que o meu, vozes diferentes que complementam a minha, jeitos de ser que fortalecem o meu.
Dialeticamente, eu não existo sem a existência "do outro". Putaquepariu, claro que não quero falar de dialetica (que perdeu o acento, eu acho). Como exemplo, ator e plateia: se um não existe, o outro também deixa de existir.
Somos um monte de "outros" juntos. Somos células do mesmo órgão. Todos nós juntos somos um só "eu", ou um só "treco", sei lá o que, sem dialetismos-morfológicos-semânticos-cururús. Quero dizer, só, que estar junto de todos numa bagaça dessa redimensiona a mim mesmo (nós mesmos), potencializa, permite que eu seja um circulo, que eu tenha 40 metros, 40 vozes, 40 ideias simultâneas. Que eu seja o que jamais seria sozinho.
Isso não é um pouco a função de um super-herói? Acho que foi por isso que tentei voar...
---
* Tomando cerveja após o treino de hoje, um acidente de carro bastante barulhento assustou a todos e para mim, que realmente tenho medo e trauma de carros, foi legal escrever sem citar isso. Afinal, se eu quero esquecer, não preciso lembrar.
*Abaixo, vídeo-canção que deveria ter postado aqui na semana passada, mas que, como não dei as caras, não o postei. Quem ouvir vai se lembrar de um passado nem tão distante.