Descobri, com a ultima semana, que se o trabalho me pega ou o sono me vence na madrugada de segunda para terça, de modo que não escrevo nada sobre o Noturno, não será nem na terça, nem na quarta, que o farei a contento.
Foi o que aconteceu na semana que se passou. Na segunda não deu. Escrever sobre estas coisas exige, pelo menos em mim, que o cansaço ainda esteja presente, sem ser maculado pelo sono-em-dia. E que eu não tenha 12, 24 horas para pensar no que vou rabiscar.
Meu punho dói que é uma beleza. Treino dado por Deto, Lê resolve "voar", e voa, e cai, com o pulso antes do corpo. Ao menos, por dois segundos, eu realmente acreditei que posso voar, e lhes conto: é uma sensação muito boa!
A dor no punho a que Deto me "induziu" encobre a chata dor no joelho, que determinados movimentos às vezes me fisgam. Exigi deles (os joelhos) mais do que o saudável recomenda por todo o fim de semana, e na segunda ele estava baleado. Perfeito, portanto, para fazer duas fotografias: a estátua d´O Pensador, e um sujeito sentado numa privada. Privada onde os burros cagam neurônios de joelhos torcidos.
Os segundos à espera do fim desta cena foi angustiante, e honestamente tive a impressão que o Candé me deixou naquela posição por pelo menos 3 estações do ano.
Estou ouvindo Rita Lee e no meio da música uma inserção nonsense de Norah Jones interrompeu meu fluxo, e voltou para Rita Lee sem que eu entendesse como isso é possível. Estou ouvindo um CD. Repito: um CD. Bizarro e inexplicável. Fica o registro.
Voltando. Falava de fotos, pulsos, joelhos. O time de futebol que jogo (e é meu primeiro time do coração, que me desculpe o futebol profissional), cujo qual sou o capitão, me leva ao Noturno de joelho baleado, às vezes. Eu também levo algo do palco para o vestiário. Este sábado mesmo eu discursava aos companheiros o quão importante era ter convicção, mostrar convicção, mesmo errado. Não era oportuno citar a fonte, é importante para meus colegas imaginarem que sou um super-herói cheio de ideias legais.
Não sei se super-heróis (nunca assisti desenho de herói, culpa da ESPN) servem para casos de acolhimento e segurança, ou se eles só agem com força, na hora da guerra e do conflito. Foda-se. A homogeneidade do grupo vai me deixando cercado de pequenos heróis, e são vocês, noturninhos.
Não apenas na parte física, como Mariela e Nahomi com suas articulações de mulher-borracha. Me refiro a estar machucado e a Andrezza ter uma UTI móvel dentro da bolsa. A sensação de que se me der um branco, o Tadeu e sua energia vão impedir que a peteca caia. De que as ideias que eu terei nunca estarão sozinhas, por mais indecentes que sejam. Que vai sempre ter um sorriso leal feminino se eu baixar o astral. Um abraço fraterno masculino também não faltará.
Nem faltará quem esteja atento para me dar luz, me indicar um caminho, me emprestar o que já absorveu, ensinar o que já entendeu. Sobram copos para eu fazer meu brinde, e também sobram gestos mais largos, menos largos, mais assim, menos assados do que o meu, vozes diferentes que complementam a minha, jeitos de ser que fortalecem o meu.
Dialeticamente, eu não existo sem a existência "do outro". Putaquepariu, claro que não quero falar de dialetica (que perdeu o acento, eu acho). Como exemplo, ator e plateia: se um não existe, o outro também deixa de existir.
Somos um monte de "outros" juntos. Somos células do mesmo órgão. Todos nós juntos somos um só "eu", ou um só "treco", sei lá o que, sem dialetismos-morfológicos-semânticos-cururús. Quero dizer, só, que estar junto de todos numa bagaça dessa redimensiona a mim mesmo (nós mesmos), potencializa, permite que eu seja um circulo, que eu tenha 40 metros, 40 vozes, 40 ideias simultâneas. Que eu seja o que jamais seria sozinho.
Isso não é um pouco a função de um super-herói? Acho que foi por isso que tentei voar...
---
* Tomando cerveja após o treino de hoje, um acidente de carro bastante barulhento assustou a todos e para mim, que realmente tenho medo e trauma de carros, foi legal escrever sem citar isso. Afinal, se eu quero esquecer, não preciso lembrar.
*Abaixo, vídeo-canção que deveria ter postado aqui na semana passada, mas que, como não dei as caras, não o postei. Quem ouvir vai se lembrar de um passado nem tão distante.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário