terça-feira, 27 de julho de 2010

Vulcão

Segunda-feira, como se faz toda segunda-feira, treino, treino noturno, Noturno, de preto.

Tiramos uma fotografia daquelas que viram porta-retrato. O elenco todo.

Terça-feira. Acabo de voltar de uma partida de futebol. Foi o jogo de despedida antes da viagem do time para a Inglaterra, sexta, para a disputa da Copa do Mundo anti-racismo.

Tiramos uma fotografia daquelas que viram porta-retrato. O time todo.

Há coisas em comum entre uma e outra atividades. Vocês sabem a carga emocional que deposito nelas. Mas há uma coisinha física. O joelho. Meu joelho que andava mal. Lembro da fisionomia da fisioterapeuta me examinando. Não era boa.

Segunda-feira, após fazer a sequencia de cenas, não senti dor. Semana passada eu cai no chão na "lavoura", pois o joelho não suportou. Foi tão ruim que nem sei dizer. E nada escrevi. E a ninguém desabafei. Fui tratar.

Voltando ao fim da sequencia de cenas. Minha alegria com a não dor me fez chutar uma garrafa d´agua contra a parede, e ela abriu e espalhou água. Eu ri. Depois abracei o primeiro que entrou na minha frente, o Vitinho, o levantei, derrubei no chão, rolei, sacudi.

Hoje no futebol até gol eu fiz.

O joelho parece pronto para mais uma batalha. O coração aparentemente também.

Na última quarta tive um princípio de taquicardia. Um ultrassom mostrou que não tenho nada além de stress. Eu acredito em fisioterapeutas. Nem tanto em ultrassons. Tenho motivos.

Estou mesmo tão tenso quanto se é possível estar. E esta tensão faz mal ao coração, ao joelho e ao lado frio. O lado frio de quem precisa cravar Lavoura, acertar no canto, não errar no tempo musical.

Cometi o que considero a maior das falhas. Não lidei com o imprevisto e parei a cena do taxímetro ao perder a fala. Desistir da cena no meio é grave. Não me frustrou mais do que notar o motivo. Eu estava pegando fogo por dentro. Tenso sem razão.

A Copa na Inglaterra vai chegando, o Noturno também. O local onde moro e com quem moro está mudando, e o emprego também. O públicável me acelera e excita, e o impublicável também. E eu ando vivendo uma época de saboroso pavor, por mais que às vezes ele saia do controle do cérebro, do coração, do joelho e da conta bancária, esta sim infartante.

De um modo que nem precisava estar tirando fotos para a posteridade.

Meus últimos dias tem sido tão marcantes quanto uma tatuagem, realizando sonhos de carreira, de vida, sendo presenteado pela bondade, fazendo pazes. E tendo vocês notúrnicos ao lado na mais artística coisaque já fiz.

Valemos a pena, moçada.

"Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão."
(Oswaldo Montenegro)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

NÃO CONSIGO ANDAR!!!

Aaaaaarrrgghhh Socooooooorro!!!

Sério, sou adepta a somente treinar a Lavoura nos últimos 10 minutos antes do ensaio acabar.

Credo, eu pareço uma velha coroca me arrastando pelos corredores. Mais ou menos com o "Broke the Bonds" do But I Still - juro que tem momentos que eu tenho que levantar minha perna com a mão!!

Pensamento-Adendo #1: Acho que agora eu vou cantar "You broke the BONES". Vou me lembrar dessa semana por um bom tempo.

Quem compartilha a mesma agrura e quiser se solidarizar à causa, ficarei mais feliz. É sempre bom saber que outros, assim como eu, também não são triatletas iron-power man. Eita exercicinho fiadapú!

Pensamento-Adendo #2: Existe hérnia de esqueleto? Acho que estou com ela.

Beijocas a todos!

Maps

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um mês depois

-Você quer dizer que só transou comigo até hoje?

Vocês conhecem essa frase. Mas falando-a subindo a escadaria do metrô, com gente andando na contramão, e ouvindo, é diferente. Eu e Roberta chegávamos juntos. Acho que fui convincente e para algum dos surpresos figurantes eu e Roberta temos sei lá o que.

Mais tarde no Ipê passava o texto com Pâmela. Um jamaicano veio pedir cigarro, colírio, sanduíche, puxar papo. Ignoramos, continuamos passando o texto. Ele insistiu.

-Olha pra mim Leandro, caralho!

Um soco na mesa. Era o "chique né". O jamaicano saiu andando. "xi, sujou". Passar texto na hora que dá é legal.

Ah! O Ipê. Uma reação em cadeia cancelou a cervejada. cancelou? Que nada. Eu, Roberta, Pamela e Gérson Montenegro estivemos lá. Ok, por 5 minutos. Eu e Pâmela por 15. Aí fomos embora a pé.

No primeiro módulo, outro endereço eu tinha e outro caminho fazia. Pegava carona com o Bruno. Sentado por 20 minutos, agradáveis conjecturas e polêmicas no carro. Agora volto a pé do teatro, uma horinha de caminhada.

Nessa noite, fui assaltado. Pegaram meu celular. A Pâmela avançou no cara e tomou meu celular de volta. E tocou os caras, xingando. Fica o registro. Eu não discordo mais dessa moça.

Passei um mês sem escrever né? E nenhum puto alimentou o blog. Onde estavam vocês nesse mês? Fica meu protesto. Andei trabalhando com uma espécie de sonho profissional, e ao mesmo tempo trocando de moradia e tendo experiências bacanas como viver sozinho sem fogão e esperar para ver quantos dias o porteiro demora para me dizer que pareço o Lobão.

Portanto, desde que o segundo módulo começou, eu volto e fico sozinho, não escrevo e não comento, fico aqui batendo nas paredes. Não foi bom não. Também porque não tive tempo, ou melhor, não tive organização de rotina para pensar nos detalhes das coisas ou mesmo estudar textos e danças.

Andei sem organização pra porra nenhuma. Hoje, tudo clareou. O tal do trabalho terminou, era hora e vez de eu saborear o treco, ao invés de jogar goela abaixo com pressa.

Fiquei irritado. Costumo fazer isso sempre, me armo, me condiciono e me cobro, e não alcanço o impossível que projetei.

Não achei meus movimentos limpos. Nem minha convicção e segurança calibradas. Falhei demais nas coreografias. A voz me deixou na mão.

Não digeri, não me satisfiz, fiquei com fome, quis mais, quis revanche, deu raiva, me cerrou os punhos. E isso significa que estou dentro do Noturno como queria. Se tem uma coisa que a inconformidade nos mostra, é que estamos interessados ou comprometidos.

Eu não gostaria de viver eternamente rindo, ou beijando, ou descansando, ou comendo picanha. Hoje eu teria ficado uma eternidade, se pudesse, tentando acertar com o grupo a Lavoura. Depois de várias semanas, sinto que a terça-feira vai voltar a ser um dia de 100 horas, cruel e chato, arrastado por ser o mais distante da outra segunda.

Tá ficando bom e nós vamos ganhar.