Segunda-feira, como se faz toda segunda-feira, treino, treino noturno, Noturno, de preto.
Tiramos uma fotografia daquelas que viram porta-retrato. O elenco todo.
Terça-feira. Acabo de voltar de uma partida de futebol. Foi o jogo de despedida antes da viagem do time para a Inglaterra, sexta, para a disputa da Copa do Mundo anti-racismo.
Tiramos uma fotografia daquelas que viram porta-retrato. O time todo.
Há coisas em comum entre uma e outra atividades. Vocês sabem a carga emocional que deposito nelas. Mas há uma coisinha física. O joelho. Meu joelho que andava mal. Lembro da fisionomia da fisioterapeuta me examinando. Não era boa.
Segunda-feira, após fazer a sequencia de cenas, não senti dor. Semana passada eu cai no chão na "lavoura", pois o joelho não suportou. Foi tão ruim que nem sei dizer. E nada escrevi. E a ninguém desabafei. Fui tratar.
Voltando ao fim da sequencia de cenas. Minha alegria com a não dor me fez chutar uma garrafa d´agua contra a parede, e ela abriu e espalhou água. Eu ri. Depois abracei o primeiro que entrou na minha frente, o Vitinho, o levantei, derrubei no chão, rolei, sacudi.
Hoje no futebol até gol eu fiz.
O joelho parece pronto para mais uma batalha. O coração aparentemente também.
Na última quarta tive um princípio de taquicardia. Um ultrassom mostrou que não tenho nada além de stress. Eu acredito em fisioterapeutas. Nem tanto em ultrassons. Tenho motivos.
Estou mesmo tão tenso quanto se é possível estar. E esta tensão faz mal ao coração, ao joelho e ao lado frio. O lado frio de quem precisa cravar Lavoura, acertar no canto, não errar no tempo musical.
Cometi o que considero a maior das falhas. Não lidei com o imprevisto e parei a cena do taxímetro ao perder a fala. Desistir da cena no meio é grave. Não me frustrou mais do que notar o motivo. Eu estava pegando fogo por dentro. Tenso sem razão.
A Copa na Inglaterra vai chegando, o Noturno também. O local onde moro e com quem moro está mudando, e o emprego também. O públicável me acelera e excita, e o impublicável também. E eu ando vivendo uma época de saboroso pavor, por mais que às vezes ele saia do controle do cérebro, do coração, do joelho e da conta bancária, esta sim infartante.
De um modo que nem precisava estar tirando fotos para a posteridade.
Meus últimos dias tem sido tão marcantes quanto uma tatuagem, realizando sonhos de carreira, de vida, sendo presenteado pela bondade, fazendo pazes. E tendo vocês notúrnicos ao lado na mais artística coisaque já fiz.
Valemos a pena, moçada.
"Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão."
(Oswaldo Montenegro)
terça-feira, 27 de julho de 2010
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