-Você quer dizer que só transou comigo até hoje?
Vocês conhecem essa frase. Mas falando-a subindo a escadaria do metrô, com gente andando na contramão, e ouvindo, é diferente. Eu e Roberta chegávamos juntos. Acho que fui convincente e para algum dos surpresos figurantes eu e Roberta temos sei lá o que.
Mais tarde no Ipê passava o texto com Pâmela. Um jamaicano veio pedir cigarro, colírio, sanduíche, puxar papo. Ignoramos, continuamos passando o texto. Ele insistiu.
-Olha pra mim Leandro, caralho!
Um soco na mesa. Era o "chique né". O jamaicano saiu andando. "xi, sujou". Passar texto na hora que dá é legal.
Ah! O Ipê. Uma reação em cadeia cancelou a cervejada. cancelou? Que nada. Eu, Roberta, Pamela e Gérson Montenegro estivemos lá. Ok, por 5 minutos. Eu e Pâmela por 15. Aí fomos embora a pé.
No primeiro módulo, outro endereço eu tinha e outro caminho fazia. Pegava carona com o Bruno. Sentado por 20 minutos, agradáveis conjecturas e polêmicas no carro. Agora volto a pé do teatro, uma horinha de caminhada.
Nessa noite, fui assaltado. Pegaram meu celular. A Pâmela avançou no cara e tomou meu celular de volta. E tocou os caras, xingando. Fica o registro. Eu não discordo mais dessa moça.
Passei um mês sem escrever né? E nenhum puto alimentou o blog. Onde estavam vocês nesse mês? Fica meu protesto. Andei trabalhando com uma espécie de sonho profissional, e ao mesmo tempo trocando de moradia e tendo experiências bacanas como viver sozinho sem fogão e esperar para ver quantos dias o porteiro demora para me dizer que pareço o Lobão.
Portanto, desde que o segundo módulo começou, eu volto e fico sozinho, não escrevo e não comento, fico aqui batendo nas paredes. Não foi bom não. Também porque não tive tempo, ou melhor, não tive organização de rotina para pensar nos detalhes das coisas ou mesmo estudar textos e danças.
Andei sem organização pra porra nenhuma. Hoje, tudo clareou. O tal do trabalho terminou, era hora e vez de eu saborear o treco, ao invés de jogar goela abaixo com pressa.
Fiquei irritado. Costumo fazer isso sempre, me armo, me condiciono e me cobro, e não alcanço o impossível que projetei.
Não achei meus movimentos limpos. Nem minha convicção e segurança calibradas. Falhei demais nas coreografias. A voz me deixou na mão.
Não digeri, não me satisfiz, fiquei com fome, quis mais, quis revanche, deu raiva, me cerrou os punhos. E isso significa que estou dentro do Noturno como queria. Se tem uma coisa que a inconformidade nos mostra, é que estamos interessados ou comprometidos.
Eu não gostaria de viver eternamente rindo, ou beijando, ou descansando, ou comendo picanha. Hoje eu teria ficado uma eternidade, se pudesse, tentando acertar com o grupo a Lavoura. Depois de várias semanas, sinto que a terça-feira vai voltar a ser um dia de 100 horas, cruel e chato, arrastado por ser o mais distante da outra segunda.
Tá ficando bom e nós vamos ganhar.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
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