terça-feira, 30 de março de 2010

Ninguém supera essa Galera...

Nem Zorra Total, Praça é nossa, Pânico ou CQC. O melhor programa de humor semanal é sem dúvida nenhuma, NOTURNO 2010. E no programa de ontem os artistas mostraram que humor é com eles mesmo. Começando com a dublagem de "Rebeldes" e "I will survive" por Tadeu e Livia, que prenunciara a nossa noite de espetáculos. Socos na cara e capotes marcaram de forma dolorosa o humor daquela noite; felizmente Aimeé (soco na cara) e Flavinha (capote) terminaram o treino bem.

Dai começaram as piadas. Uma melhor que a outra, deixando o nosso programa humorístico de segunda feira ainda melhor. Interpretar a piada com o corpo não é uma tarefa fácil, ainda mais quando os textos das piadas são substituidos por cores, números, partes do corpo e palavrões.

E quantos palavrões. Nem o pior e mais enfurecido ser, conseguiria fazer o que os nossos menestréis fizeram, realmente eles foram do Ca#@&%$ (rs)!!!

Mas o melhor ainda estava por vir, o momento em que realmente mostrariamos com quantos paus se faz uma cena, o ápice da segunda-feira chuvosa que influenciou no córum da aula de ontem.

Com certeza, Nossa Senhora da Criatividade está descontente com seus devotos menetréis, pois segundo o diretor desse programa semanal de humor, os atores estavam tomados por uma preguiça mental, uma ingenuidade indescritível nas cenas, não conseguindo fazer com que um simples pedaço cilíndrico de madeira se torne algo diferente daquilo que normalmente se imagina, desde um "motoboy que tentou ser bruxo dando partida na própria vassoura", até as 123.456.789 zilhões de "espadas de esgrima". Mas falando a verdade, isso foi o que deixou as cenas mais engraçadas e inenarráveis.

E o que dizer do Joe? Que de forma preventiva preparou o segundo pedaço de madeira para que a cena não parasse, como se ja soubesse que alguém tentaria de forma insana se pendurar na frágil varetinha tentando imitar um frango, e como dizer que essa turma não é criativa? Parabéns ao nosso técnico de luz e som.

Por enquanto estamos sem público, logo não temos o ibope esperado, mas mesmo assim termino dizendo que NINGUÉM SUPERA ESSA GALERA!!!

Tadeu França ;*

sexta-feira, 26 de março de 2010

Noturno Social

Moçada,

Candé nos pediu no ultimo treino. Vale a pena. Não dói nada, faz bem pra nossa saúde e ajuda os outros.

Doem sangue.

No Hospital das Clínicas, cheguem, peçam para irem ao setor de doação, e façam a doação em nome de Sidnei Salvador, o Dinão, que é parceiro dos Menestréis.

Façam mesmo. Vale a pena. Eu farei assim que puder de novo (doei a ultima vez em janeiro).

segunda-feira, 22 de março de 2010

Carta para Paris

Querido Jean,

Eu sei que você escreveu seguidos erres e esses no computador de minha prima. Imagino que riu de verdade, gargalhando na poltrona amarela na manhã de Paris. Sempre que penso em você em Paris, penso que é manhã. Não sei porquê.

Mas o que ela falou é sim verdade. Esses 190 centímetros magrelos estão dançando e cantando. O zagueiro estabanado e chafurdante que tu conheceu tão bem agora deixa a espinha ereta em cima de um palco.

Sabe, Jean, foram tantas idas e vindas que eu nem sei mais. Hoje, no treino de hoje, por exemplo, eu vesti uma camisa do Santos. Tá, pode rir de novo - gosto do seu riso, amigo -, mas o fato é que aquele palmeirense intransigente que eu era, hoje é mais relativo. Mais razoável. Eu mudei. Apenas mudei. E quem não mudou?

O estranho é que a vida me fez mais sério, mais velho, mais triste. Um pouco mais sozinho do que já era. Com menos orações e menos planos. Mais simples. E fazer teatro, Jean, vai na contramão do que eu digo de mim. Eu sempre fui contraditório, mas não é essa a questão. Não é contradição. A mesma vida que me fez tanta coisa é também a responsável por isso. É tudo um plano mestre, um organismo que não se enxerga, e você sabe disso melhor que eu.

Por aqui, Jean, tenho descoberto poucas coisas. No palco, descubro - e invento - a todo segundo. Tem negra, branca, loira, morena, homem, mulher, heterossexual, gay, alto, baixo, cristão, judeu, tudo tem. Tem olhares. Novos, velhos, experientes, imaturos, casados, solteiros. Lembro quando você viu uma amora na prateleira do mercado. Tudo perde magia quando sai de uma árvore e chega numa prateleira.

Estou indo buscar pessoas na árvore, e não no mercado. Pessoas que se permitam, deixem o ridículo, não se vistam de pragmáticas urbanóides, que se concentrem e não fiquem acanhadas caso trombem nas minhas costas ou pisem em minhas horrendas unhas. Estou rodeado de gente talentosa e que sorri pra mim, e que espera algo de mim, que quer ir em frente comigo do lado. Gente que compõe o organismo que eu enxergo.

Já entendi muita coisa desde quando você foi embora pra Paris. A importância de alguém que te estimule a pentear os cabelos, os signos mentirosos por trás de cada coisa retumbante que sentimos, o quão fundamental é silenciar, respirar. Entendi a verdade de minha mãe, o caos da minha cidade, a sutil diferença que separa aquilo que dá certo daquilo que dá errado.

A mim, eu continuava não entendendo. Queria te dizer que quando estou no palco, eu me permito sonhar. E do meu sonho eu entendo. O sonho é um caminho válido. Lúdico e bem-loucão, mas válido, para se chegar á realidade. Não é um atalho, pode até demorar mais. Mas é mais legal.

Resumindo, caro Jean, espero que seu amigo aqui tenha uma semana de sua companhia no 2° semestre, e que você me veja, no palco, e que gargalhemos juntos. Te apresento meus novos amigos, você me mostra suas fotos, eu te faço aquela batida que gosta, e você me abraça como o bom amigo que é.

No treino de hoje, o diretor pediu para, em câmera lenta, eu traduzir em gestos a saudade. E eu te abracei, abracei o seu vento. Acho que isso resume muita coisa que eu poderia te contar sobre eu estar fazendo teatro, 5 anos depois.

Espero que tenha sentido meu abraço.

Au revoir,
Leandro Iamin

Somos NOTURNOS!!!

Somos a Noite, o Trânsito, o Escuro.
Somos Deuses da Loucura, Cristos, MENESTRÉIS.
Somos Vendedores, Suricates, Tartarugas e Leopardos, sim, nós SOMOS.
Somos o frio na barriga, ansiedade, felicidade, vontade, a cerveja do pós-treino.
E dentro de tudo isso que somos, ainda sobra espaço para uma dúvida: "Como é que se faz pra tomar condução por aqui?"
Com muito orgulho...Somos festa! Tiramos o Sol daqui e de lá, suamos bastante pra regar a plantação de um sonho que em Outubro se realizará.
Somos Madana, Mohana, Murari e Harebô!
Somos Luzes, Blecautes, tempos de 8, Estátuas, Espelhos.
Somos o JUNTO, mesmo as vezes separados!
Somos o sorriso de oi, o choro de tchau, somos o lance que a Mooca tem, somos a inscrição pro festival.
Somos o cansaço, dor, sono, saudade...e quanta saudade.
Somos amigos, irmãos, pais e mães.
Somos atores, diretores, cantores e sonoplastas.
Somos Criaturas da Noite, somos EQUIPE, Somos FAMÍLIA.

SOMOS...NOTURNOS!!!

Tadeu França ;*

terça-feira, 16 de março de 2010

Sim, o Noturno começou!

Ontem me dei conta disso.

Nós cantamos!! Esperei tanto por esse momento... e como já citado pelo Leandro e pela Maps, o mantra: Madana Mohana Murari.

Gostaria de deixar firmado aqui minha felicidade em pertencer um grupo incrívelmente diversificado. Em algumas horas de bar eu ouvi e vi tantas coisas, ri de algumas e me entristeci com outras, por hora eu ficava quietinha só observando, em outras me deu vontade de sentar (como sempre acontece) em outras me bateu um sono.

Vejamos então o que rolou por lá >>> um boato de beijo homossexual, um casamento em Las Vegas, uma foto que não poderia ser tirada de baixo pra cima rsrs, um ensaio de coreo, meninas rindo à toa, um sitio, idéias de vitrine, um abraço de urso de meninas num menino, risos, cerveja, fumaça, muita fumaça de cigarro.

Tudo isso é como se fosse um livro, cada semana a gente lê um pouquinho e conhece novas pessoas, novos caminhos, novos limites. Estou amando essa leitura.

Também quero viajar nesse balão!!! Superfantástico.

Boa semana,

Dri =)

Cante o nome de Deus

Uma amiga linguista lá do interior do Rio Grande do Sul me manda um telegrama com curiosa explicação a respeito de nosso mantra cantado no último treino.

Com a ajuda de "Maps", que pesquisou sobre o canto, enfim, chegamos a como é e ao que significa.



Madana, mohana, murari
Haribol, haribol, haribol

Por seres mais sedutor do que o próprio cupido, roubaste o meu coração
Cante o nome de Deus, Cante o nome de Deus, Cante o nome de Deus

segunda-feira, 15 de março de 2010

15 de Fevereiro: psicodelias e novos começos

O Noturno, o teatro, a arte, nos deixa num estado super bacana, no maior dos astrais. Fato. Hoje tinha que senti-lo
por questões práticas.

Minha tia-avó morreu no domingo, a segunda-feira foi reservada para aquelas coisinhas de enterro, tudo que deixa um ambiente não muito legal. E eu fui xingado.

É, me mandaram tomar no meu cu. Por outro assunto, na verdade, mas com muita vontade, muita verdade, sinceridade, e acompanhado dos desejos que eu sumisse da face da Terra.

Fazia tempo que não me desejavam isso assim, com tanta força. O Deto falou no treino sobre a energia que 400 pessoas depositarão sobre a gente, que estará no palco, a cada vez que Noturno começar e terminar.

Não sou alheio a isso. Acredito bastante, inclusive. Estava meio tchuns. Com medo de murchar lá no palco e atrapalhar os coleguinhas.

Deu certo. O meu pé tinha 2 furos e 2 quase-furos de prego-de-chuteira na sola. Doía mas não passei por maiores problemas, posto que até enfermeira informal eu conquistei na noite de hoje.

Fiquei satisfeito com o grau de concentração, minha e do grupo. Tá, eu fiz um homem querendo comprar cadeiras inspirado num suricate, mas isso não foi culpa minha. Tá, confesso, tava rindo de bobeira numa das fotos de grupo onde deveria estar paralisado, mas nossa cabeça às vezes viaja.

A Lívia-1985, que alterna meninez e maturidade quando olha brilhante e sorri metálico, tinha tudo pra foder de vez com meu dia um pouco acidentado. Eu só precisava olhar pra ela e copiar, em seguida, a pose que ela fizera junto de uma cadeira. Eu olhei. E ela estava debruçada com braços para um lado, pernas pro outro, pescoço pro outro, esticada, como uma bailarina. Contei até 8 para repetir a imagem. E até 10 para não destratá-la.

É importante destacar que cantamos, neste treino. Usamos a voz para entoar um sinistro mantra, um tal de radãna-rashãna-arará obuê-bô. Não era bem assim mas é mais legal imaginar que era.

Pude me imaginar numa viagem psicodélica ao som desse mantra, algo como 20 pigmeus com o rosto de Jow batucando o mantra enquanto Tuti fazia seu perfeito tatu-bola-lombriga-cambalhota por um caminho de terra, e que terminaria, certamente, num jogo de flashes hipnóticos contendo uma roda fora e uma roda dentro, cercadas por leões-Dandrades.

Era aniversário do espevitado Arthur. O menino-mascote do simpático Bar Ipê foi o mote necessário para que se juntasse enorme turma ao redor da mesa. Um pós-treino de impor respeito.

"Hoje começou o Noturno!", bradava uma de nós, criaturas, elegendo o momento como marco do entrosamento. Elegendo, momento, entrosamento, 3 palavras de sonoridade parecida, eu deveria mudar o parágrafo, mas foda-se.

Um ponto importante da noite de hoje foram as fotos. Tiradas aos montes. Aguardemos pela publicação daquelas que são publicáveis. Todas são. Vale tudo? Não, nós que somos bacaninhas.

IMPORTANTE 2: escrevi tudo acima ouvindo um CD do Pearl Jam, para achar qual foi o raio da música deles que ouvimos em dois de nossos exercícios hoje. Eu estou irritado, não era bem Pearl Jam que eu queria ouvir agora. Nem vou colocar Hey Jude aqui, pra não ficar repetitivo. Mas porra, que banda chata do cacete. Não achei a música, wathever, que tiver a bondade, ponha nos comentários.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Vitrine!

A criatura Marcus Paulo, voz sempre serena e olhar sempre calmo, é quem nos faz esse lembrete, em outra mídia, que, claro, passo para cá:

de Marcus Paulo

Para os novos que nunca frequentaram a Oficina, vou explicar o que é o VITRINE.

No final deste modulo de exercicios acontece uma apresentação nossa aos nossos convidados e na faixa.

Não tem diretor Deto nem Candé. As apresentações são livres com duração média de 3 minutos. Pode ser canto, dança, poema, atuação... Tudo que você puder usar o que aprendeu nestes meses.

Ainda não sabemos a data, mas vale para todos começarem a pensar em idéias para fazermos uma grande apresentação.

As musicas normalmente são entregues ao Jow alguns dias antes para que ele tenha conhecimento prévio da apresentação resumida por vocês. Não judiem do Jow inventando coisas loucas demais, .

Sugiro que assistam alguns que estão por vir, de outras turmas.

Quem puder dar mais dicas do Vitrine... Manda bala!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Cadê a cerveja?

Foto notúrnica tirada pelas mãos trêmulas de Arthur, o nosso lépido e fagueiro surfista-funkeiro-babalorixá.

Um erro, muito, muito grave: a foto foi tirada ANTES que chegassem as cervejas.

A mesa ganha ares lúgubres. Mais uma imagem notúrnica que não mata nossa sede. Mas quem está nela bebeu, e bem - menos a Rackel, que teve que virar copo e tudo, uma loucura.

terça-feira, 9 de março de 2010

8 de março: dia das mulheres, dia de estreia?

Alguém com mais capricho ou filosofia diria que estreei no Noturno nesta noite de março que se passou. Porque? Porque amanheci com a palma da mão roxa. Estapeei errado o tablado, não sei o que foi, antes só doía, mas, uma noite de sono depois, e tenho um roxo, um inchado, mal posso cerrar os punhos.

Cerrar os punhos. Não poder serrar os punhos é algo muito ruim para uma criatura da noite.

É que foi um transe. Fizemos uma cena no começo do treino em que a sintonia do grupo foi provada pelos gritos de todos no final da mesma. Coisa de maluco. Não lembro o que levou a cada coisa, mas lembro que fluiu, o som, a luz, a harmonia do grupo, dei cambalhota, desobedeci, viajei, machuquei a mão. Estreei?

Fui para o teatro ouvindo James Taylor no ouvido. Quando cheguei no metrô Ana Rosa, me dei conta que foi aquele o metrô que tomei quando, mais de uma dúzia de meses atrás, encerrei um equivocado noivado. Eu sou muito desatento às vezes. O teatro fica na rua da frente à que ela morava. Sei lá se ainda mora, mas é engraçado que o mesmo cenário sirva para duas atividades tão antagônicas.

Os passos que dou do metrô para o teatro são diferentes. É como sair do meio de campo para cobrar um pênalti importante (eu nunca perdi um pênalti na carreira, ok, perdi um mas fiz o gol no rebote, ok, mulheres ou quem não joga bola ou quem não bate pênalti, não vou atrás de outra metáfora). Excitação e ansiedade tomam conta. E você aguça os 5 sentidos, e o 6°, e o 7°. Fica focado, concentrado desde já. E até esquece que aquela farmácia de esquina já te forneceu curativos para um corte nas nádegas (isso é a mais pura verdade, ainda que me denigra).

Falando em concentração, ou em bater pênalti, hoje foi a primeira vez que testei a voz, a voz sozinha, a fala, a dicção, no palco, para ser ouvido pela plateia (reforma ortográfica: porque tirar o acento da platéia?). Eu me permiti deconcentrar-me e acho que me arrependo disso. Acho que ri e relaxei com a apresentação que antecedeu a do meu grupo, mas o fato é que não cuidei dos meus passos, meu ombro, notei um pouco de timidez com os braços, e a fala, o repertório, pagou o pato.

Concentração precisa ser tudo pra mim. Não só quando estou lá em cima. Notei que não assisti da maneira que deveria assistir aos outros grupos.

É importante ressaltar que mais uma vez acabei num grupo com só eu de homem. Mas eu era apenas um vendedor, dessa vez. No dia internacional da mulher, até que é legal notar isso. E lembrar que, em câmera lenta, fui golpeado com um soco e uma torta na cara, e não pude nem ficar bravo, posto que os atos vieram seguidos de enternecedores sorrisos. Feliz dia das mulheres.

Os boatos de uma festa, balada, churrasco, reunião ecumênica ou leitura coletiva de teses de doutorado já ganha mais força. Sinto cheiro de festa no ar. Deve ser bom não ter hora pra terminar uma reunião com essa moçada. A Maria Paula, que é a campeã portodegalinhense de cerveja-via-canudinho, batendo na final o Sêo Ubaldo, lenda viva da região, precisa não ter hora para parar de beber comigo. Opa, gancho perfeito: a cerveja pós-treino.

Não dá tempo de conversar largamente, de engatar a quinta, de desfrutar da companhia de todos. Logo chega a carona de um namorado, a aí pelo menos vemos uma virada de copo de cinema. Depois o metrô varre componentes da mesa. Mas eu não estou reclamando, não sou ranzinza. Tá, sou um pouco. Puta que pariu, esqueci de trazer embora a bolacha. Eu coleciono. Não inéditas, mas de quando bebo. Anoto dia e companhias. Disse isso na mesa. E esqueci a bolacha. Idiota.

Devo dizer que a casa me afetou. Ou, em casa, me afetei. Uma pipoca e uma Rita Lee depois de chegar, senti mais propriamente o impacto de tudo. O estrago que faz. Em mim é brutal. Eu conto abertamente, quando é o caso de contar, o porque de estar alí e o que me antecede. Não é lá muito administrável. Cicatrizes, saudades, levo tudo pro palco, é uma missão.

Tem um desabafo aqui na garganta. Todo mundo é um pouco de desabafo contido, esperando sua hora de sair. Estar na posição de criatura da noite, assusta. Intenção e gesto se equalizam. Potencializa uma coisa selvagem. Quando decidi cancelar, anos atrás, meu relacionamento com os palcos, acabei adiando muita coisa pela vida. Todos adiamos. E não pode sair tudo de uma vez. Senão dá cegueira. E já basta a escuridão.

Quem pega o bife menor na mesa, um dia vai querer o maior. A renúncia é também espera. A bondade também espera recompensa. De alguma forma, isso me explica lá no treino. Eu larguei os palcos em 2005, optei por um teatro sem cortinas, solitário. Uma opção de renúncia, mas de espera. Que chegou à sua hora. Hora de ter um espaço, de aumentar-se, de projetar-se, num corpo de 40 pares de braços. Um teatro com cortinas, num grupo.

Isso não é só curtição. Tem um baita peso humano.

* * *

Na noite de ontem recebi as primeiras impressões sobre o nosso blog. Show. Mesmo. Tenho certeza que vou sorrir bastante quando começarem, todos, a escrever também. Vocês sabem como postar aqui, no orkut tá explicado e se não tem ou não viu ou não sabe, pergunte-me como. é parede para todos nós pintarmos. Eu escrevo, é minha profissão, minha compulsão, mas adoro ler também. Portanto, aguardo os escritos das criaturas.


terça-feira, 2 de março de 2010

Merece um quadro (???)

Me foi cobrado, e eu achei que vale a curiosidade.

Abaixo está a primeira foto do grupo do Noturno 2010. Desgraçadamente, esta foto é, desde que nasceu, imortal. Péssima. Quase nada se vê.

Mas somos nós. Não que sejamos gênios da arte, mas tenho certeza que merecíamos uma primeira-foto mais, digamos, estética.

Hehe.

Enjoy, criaturas!!!

Bom, agora que o blog está devidamente publicado e anunciado entre a turma, vamos ao assunto diretamente: quando outubro chegar, olhem que óbvio, 7 meses terão se passado. Sem pisar em ovos, quando acaba o objetivo final, o grupo não é mais capaz de se unir como se unia.

Em outras palavras, a hora de fazer é desde ontem, anteontem.

Para isso, eu me proclamo um dos necessários gestores de organiação e comunicação de eventos noturnísticos.

Precisamos de agentes, pesquisadores, tesoureiros, publicitários, departamento comercial, de logística, de cobrança, de checagem, e tal e cousa e lousa e maripousa.

Porque o tempo passa rápido e é preciso pensar em uma viagem entre os módulos, uma praia, um campo, uma cervejada sem hora pra acabar, um churrasco, um evento musical, artistico, religioso, medicinal, mediunico, etcetera e tal.

Conclamem-se, proclamem-se, pensem, digam, cobrem, reflitam, façam as contas, olhem o calendário.

Isso aqui (ô ô) é um pouquinho de Noturno (iá iá).

* * *

ps.: lembrando que este espaço é para TODOS escreverem TUDO que quiser. Não sabe como? Pergunte-me como. Tenho e-mail, tenho msn, tenho endereço, tenho telefone, tenho login e senha deste blog para quem quiser usar. E não me interessa usa-lo sozinho. Fiz para o grupo.

1° de Março. Dobrando os joelhos

Eu pude ver todos os olhos fazendo a mesma conta que eu. Todos chegaram ao mesmo número final ao mesmo tempo que eu. Éramos 8. 7 mulheres. E foi assim que não se podia mais ir contra: faríamos as cenas de Branca de Neve e os 7 Anões.

Claro que a masculinidade desses 7 anões é menos impactante do que a feminilidade de uma Branca de Neve. Acho que suportei bem a pressão. No tempo de colegial, após sair de quadra contundido 3 vezes seguidas, o ginásio inteiro entoou o côro "Princesa, princesa" para mim. 5 minutos depois eu quebrei o nariz numa dividida, e queria saber que tipo de princesa passa por isso.

De toda forma, desde aquele dia que não precisava de uma concentração diferente da linear. Piadas à parte, o exercício em questão foi o primeiro objetivamente radical no escuro.

Ele, assim como o que o antecedeu, consistia em sair da coxia e voltar pra ela, no escuro completo. Aquilo que o público do Noturno, quando assiste, não consegue entender como é possível ser feito.

Hoje aquele sonho louco de espectador começou a ser desmistificado. Andar no escuro, posição de fera, ouvido aguçado, todo o tato do mundo na planta do pé, mãos em alerta de proteção, instinto, faro também, noite. De todas estas sensações animalescas e demasiado humanas surgir a Branca de Neve é que é o engraçado.

Outro ponto me preocupou. O amor da minha vida é meu time de futebol de bairro. Que joga bola e ajuda o bairro, ajuda a comunidade, mais que qualquer político. Não posso romper com esse time, esse ideal (sabiam que fui premiado líder comunitário em 2006? Grande merda né?). Mas também não posso romper meu joelho.

E meu joelho falseia. Às vezes apenas dói, noutras vezes falseia. A academia que fazia pra fortalecê-lo foi suspensa. Motivo: dores. Hoje precisei me equilibrar nele. Colocar peso nele. E senti que ele tremeu um pouco. Fiquei tão afetado com isso que o coitado do meu parceiro, que esperava de mim um espelho, só viu equívocos.

Não é que seja insuportável, ou que esteja a ponto de arrebentar. É que não está perfeito. E o resto, em cima do palco, está perfeito. Cabeça, coração, pulmão, braços, tudo está perfeito e o joelho tem que vir nessa. "Joelho, o corpo é seu grupo, você precisa estar junto, junto, junto dele", queria dizer.

Não posso cogitar perder uma dança, um um dia que seja, por conta de dores no joelho. Por pensar nisso, me antecipo a um problema que não existe ainda. Isso me desconcentra.

No mais, o grupo vai conquistando sua cara, seu estilo, vai ganhando indpendência, caráter, vai sabendo o que tem que fazer. Vai arriscando. Cheguei 20 minutos antes e a maioria do pessoal estava em cima do palco. Isso diz muito. Eu vi coisas realmente boas nos exercícios do pessoal ao meu redor.

Em alguns exercícios, tocaram músicas especiais para mim. Uma do Pink Floyd e outra do Oswaldo Montenegro, notadamente emocionantes. Mas teve uma boa serie de canções dos Beatles. Como pretendo deixar uma canção de cada treino, aí embaixo vai uma delas, uma destas.

Saio de mais um treino com uma sensação estranha. Não me perguntem o que é, mas é estranho ir conhecendo vocês. Quem mora aqui, quem mora lá, quem bebe, quem fuma, quem faz academia, quem tem filhos, quem namora, quem canta, quem isso, quem aquilo. Informações. Humanizando e aproximando uma galera que eu passava um bom tempo inventando sozinho na cabeça.

Atentos, criaturas da noite. Hoje foi o treino 4. Quatro para nos conhecermos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

22 de agosto: as primeiras lágrimas

Voltando do carnaval, portanto a 14 dias sem palco, até o sol veio fazer o treino. De noite, sim. No Noturno, sim. O sol estava na coxia. Pelo amor de deus, o que mais justificaria um calor ainda maior do que o de antes?

Era aniversário da Adriana. A pequenina de cabelos cacheados levou um bolo para o momento do intervalo. Bolos em aniversários a gente vê em famílias. Adriana estava certa.

Estamos conseguindo mais foco, nosso arcabouço de recursos, informações e reflexos já mostra volume, ao mesmo passo em que novas coisas nos chega. Trabalhamos bem mais no escuro, dessa vez.

Fizemos um exercício em grupos de cinco. Resumidamente, foi na sétima hora de palco que acabei chorando pela primeira vez. Não deixei o sonho do hipotético público ir por água abaixo. É o mandamento do grupo.

Mas chorei com Joe Cocker, sua canção tão bela. Fui pra coxia e lá fiquei um pouco ao fim das cinco músicas, todas dançadas como se a primeira não tivesse me detonado.

Sequencias mais longas, informações mais densas a se decorar, exigências maiores em termos de expressão e postura. É isso que trago deste terceiro encontro. Um encontro substancialmente mais íntimo.

Os homens se permitiram até treinar sem camiseta. Num dos exercícios, é bem verdade que quase ninguém viu, mas eu fiquei de sunga, minha querida sunga de piscina. Fiquei preocupado em ter sido deselegante. Tolo.

Mas nem é por isso, ou nem por fodermo-nos com cabelos ou quetais, nem pela festa de aniverário, tampouco pela maquina fotográfica que lá apareceu, ou sequer por um exercício conter cumprimentos bunda-com-bunda.

É o conhecimento coletivo tornando o grupo homogêneo. É assim mesmo que funciona. Buscamos mais soluções, tratamos coisas que antes eram determinações e agora são apenas atos naturais.

Nossos diretores dizem coisas muito legais. Algumas delas a gente conta, outras a gente guarda. Dois mais dois, pra gente, precisa ser 17 convicto, mas não pode ser 4 burocrático. É nossa convicção pra pisar errado, ser torto e andar fora da linha que nos difere.

Esse é o conceito que mais senti organicamente dentro de mim no dia de hoje. Consegui me sentir mais convicto. Para ser perfeito, realmente milhões de grupos fazem melhor que nós. Nosso diferencial precisa estar na convicção.

É preciso sensibilidade, estar sensível a isso, a se desligar do que geralmente não se desliga, levar-se totalmente ao descrédito formal.

Acho que You Are So Beautiful, logo no começo do treino de hoje, me emocionou e me ajudou a doar-me um pouco mais. Bastante mais.


8 de fevereiro: a primeira cerveja

Resumidamente, o aviso na parede do teatro Dias Gomes nos informa sem rodeios que a ventilação está defeituosa.

Faz um calor que sequer fotos das minhas axilas poderiam descrever. É a sensação que vai ficar desse início: o calor louco.

Em uma semana, a gente já conhece muitas caras, alguns nomes. A internet nos ajuda. O Santos ganhou do São Paulo: são dois os santistas do grupo. A Maya e a Adriana, assim como eu, curtem um BBB numa noite de ócio. O Cristian e o Marcus Paulo me confundem. Tuti e Deborah também.

Wathever. Na primeira aula estivemos com Deto. Hoje, Candé. A mesma dinâmica. Desde 1991 a Oficina dos Menestréis treina pessoas para fazer o público sonhar. Não me peça para ser eu o rapaz que vai contar como se dá este treinamento.

Posso dizer que é algo muito nosso. Meninas bonitas sorriem pra você, dançam contigo, limpam a testa com a leve camiseta e te mostram toda a barriga. E estão descalças, descabeladas e sem maquiagem. E foda-se.

É algo muito nosso. Todo nosso. A sintonia depende de todos. Um espirro muda o clima geral. Um braço cruzado é trágico. Os homens dançam, são gentis, soltam-se, alguns com shorts, camisetas regatas, músculos. E foda-se.

Hoje dançamos uma música do Grease. We Go Togheter. Entendeu? Hoje eu não estava tão tenso. Hoje deu pra decorar mais pessoas, mais comandos.

Deu pra deitar no intervalo e saborear o palco. Desligar. Dandrade veio me oferecer um refrigerante chamado H2O, que nunca tinha bebido. Perguntou se eu estava legal. Estava, Dandrade. Junto.

Outra coisa que posso dizer sem entregar as tecnicas de Deto e Candé, é que existe uma onda de respeito entre as pessoas, como que se todas soubessem o quão importante o outro, cujo nome, procedência e antecedentes criminais são desconhecidos, será em sua vida.

Tinha uma menina alta, que depois fui saber que se chama Nahomi, que olhei e pensei nisso. "Que diabos, quem é essa pessoa, e quem será essa pessoa em agosto?". A Adriana, cujo diálogo pela internet já havia sido maior, dava no mesmo placar: "Tá, sei sobre ela, mas o normal não seria eu ter a opção de não ter certeza que ela será importante no meu melhor ano?".

Viagens, apenas viagens. Acaba o treino, e vamos beber uma cerveja. Na outra semana tem carnaval, logo, não tem treino.

Cristian pulou de para-quedas com sua mãe. Lívia canta numa banda de meninos imaturos. Flávia tem uma tatuagem nas costas. Tadeu imita Silvio Santos e eu quebrei meu copo na mesa.

Não acharia nunca coisa diferente. A seleção do Noturno não deixaria isso ser possível. Mas sinto estar ao redor de pessoas numa linha de energia muito gostosa. Sem Limaduartismos. Sem eu-sou-fodismos. Não senti isso em ninguém. Hoje sinto muita dor nos punhos, pois num exercício passei 3 minutos marretando o palco. Foi libertador.

Outra vez volto pra casa na carona do engraçado Bruno. A figura tem um problema nas costas, e eu no joelho. Isso toma metade de nossos diálogos, ou lamentos.

A outra metade dos assuntos, claro, é secreta.