sexta-feira, 21 de maio de 2010

o coletivo

de Leandro Iamin

Algumas coisas que antes não faziam parte de nossa rotina nos treinos, agora começam a fazer. Logo aqui embaixo a Maps definiu bem toda a alquimia que é quando somamos nosso conhecimento adquirido ao nosso sentimento aflorado.

Agoras os exercícios saem. A memória nem percebeu o quanto já decorou e o quanto consegue se virar no caso de ter esquecido de algo ou de precisar criar sem mostrar que criou. Condicionamento artístico talvez seja a palavra. Coração atento, olhos ligados num corpo de 40 braços e 40 pernas. Treino é treino, estudo é estudo, e eu adoro isso. Sempre adorei a escola, nunca fui CDF com livros e provas, mas amava ouvir e interagir com os professores formais e informais que passaram por mim.

Porque sempre vi resultado. Sempre que estudei algo, transformei alguns aspectos de mim. Sempre que treinei, consegui melhorias. Em tudo. O resultado aparece e é proporcional, não tem jeito. Não é injusto como futebol ou ilógico como amor. O que você treina e estuda, você colhe da forma prevista.

Falta um treino de atividades "comuns", mais um vitrine, e aí enfim os papeis e as minúcias da peça em si nos ocuparão. Seis horinhas de primeiro módulo. Acho que o que tínhamos para estudar e treinar, para aprender com a proposta do módulo, já foi feito. E eu olho para frente, e fico admirado. Por petensioso que pareça, acho que consigo enxergar a evolução individual nossa. Mas jogo ela fora, dou um foda-se e puxo a descarga, claro. Pois o ensinamento conceitual de todo o módulo estava na evolução coletiva. E esta evolução é muito, mas muito mais visível.

De minha parte individual, superei sem apertos a rasgura que o reencontro com o palco poderia causar na minha saudade de uma amiga. Coletivamente, nem tenho o que falar. Coletivamente eu nada falo, pois coletivamente eu tenho 40 bocas.

Só que vou me permitir usar umas lembranças de coisas particulares, e dize-las aqui. Com licença.

Mari. O seu choro fez o coletivo chorar também. Alguns de nós choraram com as lágrimas e tudo. Alguns você viu, alguns não. Mas o seu choro nos lembrou de algo que já sabiamos que não se poderia evitar: perderemos peças. Alguns de nós haverá de sair, como já saiu. Só que tem o seguinte: nós estamos na metade da história. O fato de você não participar da segunda metade não te tira da primeira, não te zera dentro da equipe, não te torna parte excluída. Aquilo que vai ser apresentado em outubro tem, irremediavelmente, o seu toque e o seu sentimento misturado com o nosso.

Lembro ainda que muitas coisas, na verdade a maioria das coisas que sonhamos em fazer na vida, acabam antes mesmo de começar. Interromper algo na metade não deixa de ser uma vitória.

Tadeu é um moço de marca muito forte. Eu chamaria Tadeu de mijo de gato. Onde o gato mija, não há quem consiga tirar o cheiro. É assim quando Tadeu participa de uma cena. Ele possui um presença marcante. Só que isso parece estar causando uma perturbação ao nosso menestrel das tranças longas.

Ele escreveu aqui semana passada, mas preferiu ocultar o texto. Fez essa opção, e eu estou desfazendo-a de alguma forma. Tadeu tem uma legítima preocupação com a leitura externa de sua faceta bem-humorada o tornar estereotipado. É aquela coisa de todos rirem quando um comediante faz uma cena dramática ou faz um comentário serio.

Tadeu não é comediante, e nem esse problema é dele. Acho que isso pode virar uma imperfeição do coletivo, isso é, subestimar algum olhar para ele, impedir indiretamente que outras facetas dele desenvolvam-se. O exemplo é do Tadeu, mas pode acontecer com todos nós.

No fim da nossa multi-apresentação da última segunda, corremos para a plateia depois da última cena. Após cumprir todo o extenso roteiro, eu estava cego. Eu ceguei mesmo, lembro que berrava e lembro que estava em transe. E lembro que no fundo da plateia encontrei o Tadeu, e aparentava entusiasmo semelhante. Lembro que dei um abraço nele, de fração de segundo. E fiquei feliz de encontra-lo num momento desprovido de qualquer graça, e munido de potência emocional, coisa que sobra no grupo, e nele também.

Acho que já escrevi demais para o meu tamanho. Vale dizer que Chris Spong, entre alguns outros bonitos textos citados nos exercícios de luz com o Deto, falou carregado de emoção um trecho de O Menestrel, texto de Shakespeare, que eu considero uma das coisas mais bonitas que já li. E veja, vocês, no youtube achei o texto citado, e vejam vocês, está aqui embaixo.

Um comentário:

  1. Le...
    obrigada por suas palavras... sabe q na outra segunda estava muito triste, pq achei q perderia tudo isso... ontem uma felicidade me invadiu pq sabia q era o ultimo dia de aula. Com os remembers do Candé vivi tudo novamente... como foi bom!
    Aprendi muito com voces todos nesses 4 meses... minha segundas nunca foram tao felizes.
    Obrigada a vc Le... e a todos do Grupo! Tenham a certeza de q estarei com vibraçoes positivas para todos voces!
    Um grande beijo
    Mari

    ResponderExcluir