de Leandro Iamin
Basicamente, minha vida atual se resume ao Noturno e ao meu time de várzea. Não me venham falar do trabalho. No trabalho eu apenas trabalho. O resto do tempo eu uso descaradamente para me reservar a maior ociosidade possível.
Convite de amigos são aceitos, saídas moderadas, consultas médicas e uns planinhos postos no papel, contas, filmes, organizar, leituras, o que for. Nada obrigado, tudo só se eu quiser.
De compromisso real, firmado, juramentado, daquele que sei hoje onde estarei daqui 3 meses, é só isso: Noturno e meu time de várzea.
Não acho que sejam poucas atividades. Me bastam como nunca nem 5 atividades simultâneas bastavam. Amo o time que jogo mais que o Palmeiras. No teatro encontro minha melhor versão possível. Saio sempre feliz das duas atividades, a ponto de não me culpar caso negligencie o resto de minhas horas acordado, ou mesmo dormindo, de folga, ou mesmo trabalhando.
Por vezes, uma atividade entra no espaço da outra. Sábado eu deveria ter ido com a moçada ver a peça UP, mas o futebol me impediu. Da mesma forma, hoje no teatro deixei minha coxa inchada numa pancada como raramente recebo num campo.
Sábado foi um dia chato para mim. Aspectos de uma versão derrotada de mim vieram à tona quando um sonho de ser campeão virou desilusão. Fiquei dentro do vestiário por uma hora, conversando com o dono do time, meu melhor amigo. Falamos sobre coisas da vida, do time, da vida-e-do-time, o que afinal representava fazer tudo aquilo. Ganhar não deveria ser o objetivo principal. E não é.
Fui para o teatro pronto para esquecer isso de ganhar e perder. Tenho problemas com isso. O Candé fez uma "olimpíada", com notas e tudo, e isso me perturbou. Queria tirar do palco uma boa metáfora para levar ao vestiário.
E tirei. Hoje foi o dia que mais me senti participativo, e, no entanto, fiquei, ativo, no palco, por no máximo 5 minutos. Mais assistimos do que fizemos, e não participamos menos por isto.
Foi noite de ver as soluções que os outros encontram, a seu favor, a favor do grupo. Ver o talento deles. Talento sem adversário, sem resistência vestindo outra cor. Se por um lado a vida nos ensina que nem sempre quem faz melhor é quem se dá melhor, por outro nossos companheiros provam que a arte não joga contra ninguém, e é por si só vencedora.
Daí me vem Cíntia e seu fofuxo "tíruríru riru riru", Tadeu com o domínio de sempre, o expressivo Cristian e sua implacável estatura-envergadura fazendo o fresquinho pintor francês, Lívia e Priscila num dueto nota de fato 10.8, as fotos de Chris e Carina, a nerd bonitinha e legalzinha da Paty, Sophia Guadalupe e seu delay, a aflitiva drogada que se tornou Deby Polaca, a confusa senhorinha Rackel, e mais essa, e aquela, e aquela outra, e sério: não tenho a conta de quantos personagens excelentes pisaram naquele palco desta vez. Não teve exceção, todo mundo deu passos à frente ao treinar por hoje.
O que seria um presente e me faria dormir feliz.
Mas aí a irmã do dono do meu time de várzea, o meu melhor amigo, sofre um aneurisma com 24 anos e tudo que eu penso que sei e aprendi sobre qualquer coisa muda de figura. E eu paro de escrever.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
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Poxaaaa sinto muito pelo amigo!
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beijos
Um pouco atrasada confesso....só li isso hoje! Mas como todo time, sempre juntos nas alegrias e nas nem tantas....... Estamos aqui...se precisar de mais um amigo.. bjs no coração!
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