Fevereiro de 2005 havia sido a última vez.
Acabo de chegar em casa. Ando pra lá e pra cá. Minha mãe dorme. Eu não consigo dimensionar. Como não consegui explicar nada à mamãe nos 10 segundos em que ela con seguiu manter-se acordada.
Saí de casa e ainda era dia. Cheguei e a noite caía. Era o Noturno chegando. Desejei o fim do horário de verão.
Era engraçado olhar para as pessoas ao redor. Notei que algumas se conheciam, mais do que eu imaginava. Suspeitei ser o único a ir 100% sem conhecer ninguém àquele lugar. Ainda suspeito.
Procurei os olhos e os sorrisos e comparei com o que já tinha visto pelo orkut. Pouco me resolveu.
Era preciso fazer o que eu tinha que fazer. O que desde fevereiro de 2005 eu não fizera.
Era uma vez a universidade. O Leandro que bolou, escreveu, atuou e dirigiu um musical com 22 alunas de fisioterapia, mais 4 deficientes mentais.
Era uma vez o intuitivo Leandro que usou o Noturno como referência de danças, de luzes, de tudo. Lembrança quase de berço, afinal. Era uma vez o Leandro que deixava claro: "nada sei, não sou um diretor. Só tenho vontade. Se sua irmã estiver dando a luz e você não souber dirigir... você vai aprender a dirigir".
Eu precisava daquilo, naquela época.
Era uma vez uma das 22 alunas, cuja vida precisava de mim, e da peça, pra voltar à linha. Era uma vez fevereiro de 2005.
Peça feita, relativo sucesso, convites externos de apresentação. Perdemos nossa aluna mais difícil, mais trêmula, a que mais precisava do palco.
Não foi só luto. Foi descrença. Fevereiro de 2005, e eu deixei de acreditar que o palco seria um lugar onde deveria estar. Passei mais dois anos estudando mudo. Peguei o diploma de jornalista e fui embora.
Agora eu precisava encarar isso de novo. Pelo sonho da minha mãe. Que acabara de realizar meu sonho.
Por mim, pra satisfazer meu grito entalado.
Eu subi no palco e deixei que 5 arranhados anos de quietude se esvaissem em passos retangulares e nervosos.
5 anos, naqueles 15 minutos, foram recompensados.
5 anos, nas 3 horas que se seguiram, fizeram mais sentido. A energia de cada um, a alegria realizada contida em cada rosto, a sintonia, a vontade atenta de aprender em grupo, o privilégio coletivo.
Demorou 5 anos. Mas fevereiro de 2005 está acabando, na minha vida, nesta madrugada.
É o que já guardo de minhas dúzias de novos amigos. Muitas lágrimas virão. Muita saudade. Mas muita garra também. Estarei no palco por mim, por uma mãe na platéia, e por uma guría lá no céu.
Uma guría que dançava, comigo, na peça, a "dança do reencontro".
Eu vou te reencontrar. No palco, minha amiga.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
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Idéia Genial esse Blog...Só a nossa turma tem...Você escreve muito bem, seus relatos deixam o leitor com gostinho de quero mais.
ResponderExcluirVamos "Bombar" esse Bloguitcho!!!Abraços, Tadeu França